quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Curso Básico de fotografia


Retomando as atividades para o público pagante, o Garatuja promove um curso de fotografia para quem pretende conhecer um pouco mais sobre a linguagem. Sempre que possível nossas oficinas estabelece diálogo entre os meios originários do fazer artístico e a prática digital. Com esse curso não será diferente. Ele tem inicio pela compreensão do fenômeno da formação da imagem, elemento básico da fotografia. Essa prática acontece no laboratório analógico do Garatuja, onde o aluno irá construir um fotograma e uma câmara artesanal (pinhole). Aspectos ligados à linguagem fotográfica serão tratados em seguida como a história da fotografia, conceitos, referências, regras de composição e outros. Na sequência serão trabalhados os recursos técnicos do equipamento fotográfico, utilizando-se de meios digitais e analógicos, como corpo e objetiva, foco, nitidez, acessórios, fotometria, ISO, obturador, diafragma, profundidade de campo, etc. Saídas fotográficas complementam o aprendizado. O curso será ministrado por Daniel Guedes, bacharel em design pela UNESP e assistente do fotografo Marco de Bari, recentemente falecido. Pra quem é de Atibaia e região é uma ótima oportunidade para conhecer ou aprofundar seus conhecimentos sem se deslocar para os grandes centros. O curso terá inicio assim que houver número mínimo de participantes e está previsto para acontecer durante três meses. Serão aulas de duas horas semanais em dias e horários a combinar. A mensalidade é de R$ 200,00 por mês. O custo de material de uso analógico será rateado entre os participantes. Os interessados podem entrar em contato com o Instituto Garatuja. Rua Esmeraldo Tarquínio, 346 – Jardim Tapajós – Atibaia SP – Fone (11) 4412 9964. Se possível traga sua máquina fotográfica.









domingo, 23 de abril de 2017

Fotos ocultas

Avesso à pirotecnia técnica na qual parece ter sido reduzida a linguagem fotográfica, encontrar o trabalho de Viviam Maier é um alento. Nelas não há nada além da pura fotografia: luz, enquadramento, dramaticidade, clima... Embora pareça pouco, não é! Maier, compulsivamente, paralisou sua existência. São muitas fotos que deixou como legado. Só de negativos são cem mil, além de registros sonoros em fitas cassete e filmes em super-8. Legado descoberto tardiamente. Sua vida pessoal é outro avesso ao clichê do artista celebridade. Trabalhando como babá, ocupação que lhe dava a possibilidade de sair dos ambientes fechados e vislumbrar a rua, Maier, com uma rolleiflex pendurada no pescoço registrou todas as contradições de nossas existências: Alegrias, tristezas, desamparo, solidão. Os negativos, que foram se acumulando em inúmeras caixas e malas, permaneceriam ali até ser tragadas pela inexorável ação do tempo, não fosse o destino (sempre ele), a tramar seu futuro. John Maloof, procurando fotos para um livro de arquitetura arrematou num leilão de antiguidades uma das caixas com inúmeros negativos fotográficos. Vendo a qualidade do material e pressentindo ter encontrado uma pérola em meio à lama, percorreu a trilha inversa até encontrar todo o material que não havia comprado naquele dia. Entrevistas e pesquisas, visando descobrir a origem daquele material, estabeleceram as conexões para remontar o grande quebra-cabeça. A partir daí o que se viu foi a revelação de uma arte até então latente. Viviam Maier nunca procurou mostrar seu trabalho. Poderia mesmo ser considerada esquizofrênica, compulsiva, esquisita? Pouco importa. Seu estranho anonimato e isolamento contrastam com a obra que deixou.



Caso semelhante de Milagros Caturla, uma professora espanhola que trabalhava com administração e que nas horas vagas era também fotógrafa. Assim como Viviam Maier, Milagros nunca se preocupou em mostrar sua arte e permaneceria anônima não fosse alguém, despreocupadamente, comprar seus negativos numa feira de antiguidade e descobrir o tesouro que tinha em mãos. E quantos artistas jamais tiveram, ou terão, no escuro do destino, seus talentos revelados? E isso realmente importa?



Fotos de Viviam Maier





































Fotos de Milagros Caturla







domingo, 8 de março de 2015

Oficina de fotografia

Depois de um período desativado o laboratório analógico do Garatuja volta a ser usado. Desta vez por jovens interessados em conhecer um pouco mais os meandros da linguagem fotográfica. Essa oficina, que inicia em março, procura mostrar técnicas e procedimentos do processo fotográfico ligado a sua origem como o fotograma, a quimigrama, a construção de máquinas fotográficas artesanais (pinhole) e outros. A prática analógica está cada dia mais distante do meio fotográfico: Primeiro em função da dificuldade em se conseguir materiais e equipamentos; depois pela falta de espaços apropriados (laboratórios) e por fim a complexidade técnica necessária para um resultado aceitável. Essa é, portanto, uma oportunidade única de conhecer e praticar, aqui em Atibaia, "o jeito antigo" de fotografar em preto e branco onde o próprio aluno irá construir sua máquina fotográfica de papelão ou latinha, com ela fotografar e depois revelar o resultado. Essa possibilidade só se mantém em algumas universidades e cursos específicos de fotografia para fins didáticos. São muitos detalhes e variáveis que compõe o longo caminho entre apertar o obturador e a cópia final em papel fotográfico no sistema analógico...Bem diferente da fotografia digital. Mas a fotografia digital não é ignorada. Ela também fará parte da oficina. Essa é uma das principais características da didática do Garatuja desenvolvida ao longo de três décadas de atividades interruptas: Mesclar antigos processos do fazer artístico com a tecnologia atual. Tudo isso de forma apropriada a cada faixa etária. A oficina, que é direcionada aos jovens a partir dos 12 anos, tem inicio em março e continua até o final do ano com aulas sempre às quartas-feiras, das 17:30 às 19:30hs. Todo o material necessário está incluído na mensalidade. Lembramos que essa oficina não faz parte do convênio estabelecido entre o Instituto Garatuja e a Prefeitura da Estância de Atibaia. Maiores informações (11) 4412 9964.






quinta-feira, 11 de julho de 2013

Foto comentada 1



















A foto acima, além de ser bem bacana, tem uma história por trás. Isso não acontece com toda imagem fotográfica. A maioria delas são feitas às pencas, e não deixam a menor lembrança das circunstância em que o obturador foi acionado. Nesse caso, ter essa informação acrescenta certa graça e torna a imagem bem mais interessante. Os três caras deitados são o Chico Buarque, o Tom Jobim e o Vinicius de Moraes em 1979. A foto é do Evandro Teixeira e se tornou uma das mais publicadas quando o tema são eles. A história quem conta é o próprio fotografo, transcrito de um depoimento gravado em 2007.

"Historicamente, acho que é uma foto importante pela história dos personagens, pelo momento... Acho que aquele, como diria o Cartier-Bresson, foi um momento inusitado. (...) Era o aniversário do Vinicius de Moraes, na Carreta, uma churrascaria lá, de intelectuais, de Ipanema e tal...Eu fui fazer uma matéria para o Caderno B, como eu era amigo deles, e chegando lá... E o Caderno B tinha o deadline... E o pessoal estava lá desde o meio-dia, tomando cana, Chico, Vinicius, Tom... Ficamos lá, e eu não bebo, e ficamos lá... E o Vinicius de Moraes era casado, naquela época, com uma argentina, Marquita, que era uma menina linda, novinha, tinha 22 anos, linda, linda... Uma morena linda, argentina... E ficava o tempo todo abraçando a Marquita e beijando, e bebendo, e cantando... E o Tom no violão, e o Chico, e tal... E eu estou clicando, fiz três, quatro filmes, sei lá... E quando eu estava vendo o relógio, eu falei: “Ô Vinicius, pelo amor de Deus, ô Vinicius!... Eu já fiz até agora, operei aqui, acho que três, quatro filmes, sei lá, mas todos os cliques iguais!... E eu tenho que fazer uma coisa diferente!... O Caderno B... Eu vim aqui fazer uma matéria para o B, e o B é uma página gráfica, são duas páginas...” De repente, naquele rompante (eu levei um susto!), Vinicius pegou o Chico e o Tom: “então vamos fazer uma foto diferente!” De repente, no fundo da Carreta tinha uma mesa... Deita o Vinicius, o Tom e Chico... E o Vinicius, num “pau” arretado... Mas, tava num “pau”, cara, tava lá... E eu, nervoso, aquela coisa inusitada ali, como é que eu vou fazer?... Eu gritei para o Teixeirinha: “Teixeirinha, me traz uma coisa aí para eu subir, porra!”, e tal... Fiquei nervoso, como é que eu ia fazer a foto deles lá na mesa?... Aí o Teixeirinha trouxe um tamborete. Eu, na correria, naquele nervosismo, subi no desgraçado, nervoso, o tamborete, fiz um clique. Aí, caí eu, caiu o tamborete, caiu todo mundo... E eu só fiz esse fotograma, né?... Foi o que salvou... E a máquina enguiçou, porque eu segurei a câmera, mas, com o tombo no chão, segurei na mão, e aí prendeu o obturador. E não bati mais nada, "deixa isso pra lá, não quero saber de foto, mais porra nenhuma"... Voltei para o jornal nervoso. E o Alberto Ferreira, que foi um dos maiores editores do Brasil: “cadê a foto?”... Eu disse: “eu acho que eu fiz...”. Eu nunca disse que eu fiz... Não, vamos revelar primeiro... Aí, tinha aquela foto belíssima... Aí, o Alberto Ferreira ampliou 30x40, saiu gritando pela redação, o Alberto Ferreira era uma figura maravilhosa... Aí, ele saiu com aquela foto. As outras para o Caderno B, e aquela para a primeira página" 

Evandro Teixeira, autor das fotos abaixo, é um dos mais conceituados fotojornalistas brasileiros, e trabalhou muito tempo no Jornal do Brasil cobrindo acontecimentos como o golpe militar de 1964, a repressão ao movimento estudantil em 1968, a queda do governo de Salvador Allende, no Chile em 1973 e outros.

























sábado, 6 de julho de 2013

Câmara escura, o início de tudo.

Na câmara escura a luz que reflete dos objetos passa por um
orifício e se projeta, invertida, no lado oposto.


















A fotografia não é invenção de um único autor. Várias pessoas e descobertas, em diferentes épocas, contribuíram para que o processo fotográfico chegasse ao que é hoje. Mas sem dúvida a câmara escura foi a primeira e mais importante descoberta para isso. Os registros sobre o assunto são muito antigos. Atribui-se a Aristóteles os primeiros estudos sobre o fenômeno, isso no século IV antes de Cristo. A câmara escura é um fenômeno natural, que nada mais é do que um simples orifício onde a luz, que ilumina determinado objeto, passa projetando essa imagem invertida do lado oposto, se houver um ambiente escuro. Isso acontece na própria natureza: lembro-me que em casa havia um quarto que projetava na parede, através de uma pequena fenda na porta, a imagem invertida de galhos e árvores existentes no quintal. Isso em estações e horários bem específicos do ano. Em toda máquina fotográfica, e também nas filmadoras, acontece esse fenômeno. Se hoje ainda causa surpresa pra muita gente deparar-se com "o filme de ponta-cabeça" da câmara escura, fico imaginando antigamente, quando ainda não havia conhecimento suficiente para explicar o fenômeno. Nas oficinas de fotografia que realizo com as crianças sempre construo esses objetos para que entendam e vivenciem essa experiência. A câmara pode ser feita de muitas formas, mas a que melhor impacto provoca, tanto em crianças como nos adultos, é a Câmara Escura Gigante que construí para o projeto Conhecer para Conservar, realizado pelo IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas. Nessa câmara as pessoas entram em seu interior e podem constatar o que ocorre dentro de toda máquina fotográfica. É mágico! Pena ser tão trabalhoso montar e desmontar tudo depois.

Os pintores, de diferentes épocas, se utilizaram desse objeto para auxiliar na execução de desenhos e pinturas. Existem notas sobre o assunto feitas por Leonardo da Vinci em 1797, e o cientista Giovanni Della Porta publicou, já em 1558, uma descrição detalhada da câmara escura e seus usos. Mais tarde foram acrescidas outras invenções a ela, como a lente biconvexa junto ao orifício, introduzido pelo cientista Giralamo Cardano em 1550. Com isso aumentou muito a nitidez da imagem, sem perder a escuridão necessária para uma boa visualização. O pintor David Hockney, autor de um livro muito bacana chamado O Conhecimento Secreto, realizou extensa pesquisa comprovando a influencia da câmara escura, das lentes e dos espelhos utilizados por artistas como Caravaggio, Velásquez, Ingres, entre outros, na formação estética de seus trabalhos. Essas lentes foram também um avanço importante para o desenvolvimento da fotografia. Abaixo fotos e um vídeo da câmara escura gigante do Garatuja. Por fora ela foi baseada na máquina fotográfica Kapsa, fabricada no Brasil nos anos cinqüenta. Para saber mais click aqui ou aqui.




quarta-feira, 19 de junho de 2013

A espera

por Márcio Zago

Em 2008 participei do Prêmio Estímulo de Fotografia, edital realizado pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. O tema era Diversidade Regional e Cultural Paulista. Com a foto abaixo fui um dos sessenta selecionados para participar de uma exposição que aconteceu no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. A foto fazia parte de um registro que vinha fazendo sobre as festas da região e mostra o momento da preparação do café da manhã para os organizadores da Festa da Cruz Branca. Essa festa acontecia todo ano na Região de Nazaré Paulista, e nela havia o encontro de vários grupos de tradição da região, como Caiapós e Congadas. A foto é de 2004. Outras fotos podem ser vistas no endereço a seguir, feitas por ocasião do lançamento do Kit Universo Poético-Musical dos Congadeiros de Atibaia, pesquisa de Élsie da Costa e lançado pelo Instituto Garatuja e Associação Cachuera!
http://revistaraiz.uol.com.br/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=324&Itemid=190